Imprensa

29 de Junho de 2015

Entidades se unem pela duplicação da BR-369

Grupo reivindica obras previstas em contrato assinado há quase 20 anos, em trecho que abriga um dos pedágios mais caros do Paraná

 (Crédito: Roberto Custódio/Jornal de Londrina)

 

 

A falta de rodovias duplicadas é um dos grandes obstáculos para o desenvolvimento da economia do Norte do Paraná. Quem sai de Londrina em direção às duas capitais mais próximas tem que encarar rodovias de pistas simples e curvas perigosas. Depois de quase 20 anos de espera, a sociedade civil organizada da região decidiu se mobilizar para cobrar do governo do Estado e da empresa que detém a concessão da BR-369 a duplicação de um longo trecho que liga o Norte e o Norte Pioneiro a São Paulo.

A proposta da Prefeitura de Londrina de duplicar a PR-445 no lugar do governo do Estado ainda aguarda resposta. Agora, dezenas de entidades de toda a região norte do Paraná se uniram pela duplicação da BR-369. Os 120 quilômetros que separam Jataizinho de Ourinhos, na divisa com São Paulo, têm tráfego intenso e muitos acidentes. Só em 2015, segundo dados da Polícia Rodoviária Federal, 12 pessoas morreram naquele trecho, privatizado em 1997 e que tem hoje um dos pedágios mais caros do Estado. Em Jacarezinho, o valor do pedágio para carros de passeio é R$ 14,80 e, em Jataizinho, R$ 16,10.

“Precisamos reduzir os riscos que essa rodovia oferece às pessoas porque tem muita gente na região que vai buscar seu sustento em outras cidades e está na estrada diariamente”, argumenta a presidente da Associação dos Municípios do Norte do Paraná (Amunop), Cléa Márcia Bernardes de Oliveira. Outro importante fator que, segundo ela, aponta para a necessidade da duplicação da rodovia é o econômico. “A região toda depende da BR-369 para escoar a safra.”

O presidente da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Ágide Meneguette, que também defende a duplicação, reforça a importância da rodovia para a produção. “A ampliação da rodovia vai melhorar a logística para o escoamento da produção agrícola e é fundamental para o desenvolvimento do Norte Novo e Pioneiro do Estado.”

Concessão

O contrato de concessão do governo com a Econorte, responsável por esse trecho do Anel de Integração, vai até 2021. Mas, para o presidente da Sociedade Rural do Paraná (SRP), Moacir Sgarioni, a região não pode mais esperar tantos anos para ter uma solução à falta de infraestrutura viária. “É incompreensível que toda a região norte do Paraná, que comprovadamente contribui muito com a economia do Estado, não possua até hoje rodovias decentes com pistas duplas para chegarmos à capital Curitiba e ao porto de Paranaguá e ao grande centro consumidor de São Paulo.”

Apesar de o contrato vencer em 2021, Sgarioni ressalta que as negociações precisam começar o quanto antes. “Nós sugerimos que o governo e a concessionária iniciem já as negociações que possibilitem a duplicação do trecho da BR-369. Não precisamos esperar se encerrarem os contratos para daí fazer novamente as licitações, provavelmente com as mesmas construtoras.”

Na última sexta-feira, as entidades que abraçaram o movimento se reuniram em Cornélio Procópio, com lideranças municipais, estaduais e federais. Na ocasião, foram definidas estratégias de ações e formalizado um documento que será enviado ao poder público, reivindicando o início imediato das obras.

Um terço do trecho

Segundo informações da assessoria de imprensa da Econorte, os contratos e aditivos da concessão contemplam apenas a duplicação do trecho de 31 quilômetros entre Jataizinho e Cornélio Procópio. Entre Cornélio Procópio e Jacarezinho (divisa com Ourinhos) não há previsão de duplicação no contrato de concessão em vigor. A concessionária ressalta ainda que está cumprindo o cronograma de obras estabelecido nos contratos e aditivos firmados com o governo.



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