Conservação do Solo

Extensionistas do IDR-PR destacam práticas que ajudam aumentar a produtividade

Conservação do Solo A conservação do solo reflete diretamente no bolso do produtor / Foto: divulgação - IDR-PR

Na semana passada, exatamente em 15 de abril, foi o Dia Nacional de Conservação de Solos. O bom manejo do solo pode permitir um aumento de até 20% da produtividade das áreas agrícolas. Esse resultado pode ser conseguido num prazo relativamente curto, entre 3 e 5 anos, mas exige empenho do produtor.

Os extensionistas do IDR-Paraná (Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná-IAPAR-EMATER) destacam a importância das atividades que protegem o solo das áreas de lavouras e pastagens. Segundo eles, tecnologias de manejo do solo podem reduzir riscos, permitindo melhorar a estabilidade da produção agrícola e pecuária.

O bom manejo do solo também produz ganhos ambientais ao aumentar a infiltração da água das chuvas no solo, prevenindo contra a erosão, melhorando a qualidade e a regularização dos mananciais e córregos. 

O diretor de Extensão Rural do IDR-Paraná, Nelson Harguer, destaca que o Paraná é o estado que mais produz alimento por metro quadrado no país. Para ele, esta história de sucesso está ligada ao trabalho dos agricultores, da assistência técnica e da pesquisa, que de uma forma integrada atuaram para melhorar a maneira de lidar com o solo. Harger lembra que esse trabalho começou nos anos 70 com o pioneirismo do agricultor Herbert Bartz que trouxe para o Brasil o Plantio Direto na Palha. "Isso permitiu avanços importantes no uso, no manejo e na conservação de solos para garantir mais produtividade e maior riqueza. Os avanços continuaram na década de 90 com o Plantio Direto se expandindo para a pequena propriedade no Paraná".

Ele também destaca a importância do trabalho do engenheiro mecânico Benjamim Dala Rosa que adaptou máquinas, substituindo o disco duplo pelo facão, o que permitiu o uso de plantadeiras menores e mais leves que tornaram possível o plantio direto sobre a palha. Harger acrescenta que o Paraná sempre foi referência nacional em manejo e conservação de solos e que mais inovações certamente estão por vir. Na safra 2019/2020, por exemplo, o campeão nacional de produtividade de soja foi um agricultor paranaense, Laercio Dalla Vecchia, que colheu 287 sacas de soja por alqueire. O resultado foi o fruto de um bom trabalho de manejo e conservação do solo na propriedade do agricultor de Mangueirinha. 

Sustentabilidade
Os extensionistas e pesquisadores acreditam que um bom manejo do solo pode devolver a produtividade que o produtor tanto busca. Porém, parte dos agricultores ainda acredita que as máquinas modernas, novas cultivares e o uso indiscriminado de defensivos são os responsáveis por maior produtividade. No entanto, a prática mostra que a adoção de inovações tecnológicas é apenas uma das estratégias para aumentar a rentabilidade na propriedade rural. 

Celso Seratto, do IDR-Paraná de Maringá, afirma que na atualidade já está comprovado que é preciso fazer o uso adequado dos recursos naturais, insumos e máquinas, além de um correto manejo do ambiente, especialmente o solo. Segundo ele, a mecanização intensiva pode provocar a compactação do solo em muitas propriedades. Dados de pesquisas de diversas instituições têm demonstrado que a compactação afeta o rendimento das culturas pelo aumento da resistência mecânica, menor disponibilidade de água e nutrientes para as plantas.

A degradação da estrutura do solo reflete diretamente no bolso do agricultor ou pecuarista. "Os custos se elevam, o resultado esperado com o uso das tecnologias se frustra e o decréscimo na rentabilidade das lavouras é quase inevitável. Nas lavouras anuais, como é o caso de grãos, isso é ainda mais evidente, principalmente nos anos mais secos ou com veranicos", destacou Seratto. 

De acordo com especialistas, o declínio da produtividade nas áreas de pecuária, acontece porque há uma queda na reposição de nutrientes do solo. Nas áreas onde se explora a pecuária a falta de um manejo adequado e de um bom rodízio das pastagens pode gerar vários problemas. Se houver um excesso de lotação ou faltar às correções e calagem, o desenvolvimento das gramíneas fica reduzido, diminuindo a quantidade de massa e raízes suficientes ao pastejo e ao sistema do solo.  Os extensionistas afirmam que com o passar do tempo, forma-se um círculo vicioso de degradação, o que exigirá inevitavelmente investimento na reforma da pastagem. 

Outro problema frequente que vem ocorrendo nos últimos anos no Paraná é o encurtamento do período entre a colheita da safra de verão. Esse fato tem aumentado a intensidade do tráfego das máquinas e equipamentos na lavoura quando a umidade é alta, agravando a degradação do solo. Para minimizar esses efeitos danosos, os extensionistas sugerem que o produtor realize as operações de semeadura, pulverização ou colheita somente quando a umidade do solo estiver baixa. Quando a umidade do solo estiver elevada, a pressão exercida pelo peso dos pneus das máquinas pode chegar até uma profundidade entre 50 e 60 cm. A falta de matéria orgânica, restos vegetais, no solo também agrava a compactação. A sucessão da soja pelo milho safrinha fica devendo pelo menos quatro toneladas de matéria orgânica. Os extensionistas sugerem o plantio e o manejo de plantas de cobertura em sistema de rotação para melhorar as condições do solo, sem esquecer da correção e fertilização das áreas de agricultura e pastagens. Só assim será possível manter a terra produtiva e a agropecuária sustentável. 

 

Fonte:ASCOM IDR-PR