Fórum do Agronegócio 2026 reúne lideranças e aponta caminhos para um agro mais competitivo, sustentável e conectado

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Em sua 7ª edição, evento da Sociedade Rural do Paraná debateu agregação de valor, acesso a mercados, rastreabilidade, clima, carbono, comunicação e estratégias de comercialização

Os desafios que vão definir a competitividade do agronegócio brasileiro nos próximos anos estiveram no centro da 7ª edição do Fórum do Agronegócio, realizada nesta quinta-feira (3) no Parque Ney Braga, em Londrina. Realizado pela Sociedade Rural do Paraná (SRP), o encontro reuniu produtores rurais, empresários, especialistas, lideranças políticas e representantes de diferentes cadeias produtivas para um dia de discussões sobre o presente, e principalmente, o futuro do setor.

Com o tema “O agro que produz, conecta e inspira”, a programação percorreu assuntos que hoje estão diretamente ligados às decisões dentro e fora das propriedades: agregação de valor, competitividade internacional, rastreabilidade, adaptação às mudanças climáticas, sustentabilidade, carbono, comunicação, inovação e comercialização.

Na abertura, o presidente da Sociedade Rural do Paraná, Ilson Romanelli, destacou que o Fórum foi construído justamente para aproximar diferentes visões diante de um cenário de profundas transformações no agronegócio.

“O agronegócio vive um momento de profundas transformações. Temos desafios importantes pela frente, mudanças climáticas, novas tecnologias, exigências cada vez maiores dos mercados e a necessidade de produzir mais com eficiência, sustentabilidade e rastreabilidade.”, afirmou Romanelli.

A cerimônia de abertura contou ainda com a presença do governador do Paraná, Ratinho Júnior; do deputado federal e presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), Pedro Lupion; e do prefeito de Londrina, Tiago Amaral.

Ratinho Júnior destacou a estratégia de ampliar a industrialização da produção paranaense e agregar valor ao que é produzido no Estado. Segundo ele, o Paraná avançou de uma posição essencialmente produtora de grãos para uma economia que transforma parte significativa dessa produção em proteína animal, alimentos processados, biocombustíveis e outros produtos de maior valor.

“A estratégia que nós montamos em 2019 no Paraná foi transformar o Paraná de um produtor de grãos à indústria de transformação de alimentos, o supermercado do mundo.”

Produzir já não basta

O primeiro painel, “Brasil como potência agro: o que define os próximos anos”, com moderação da jornalista Patrícia Pivetta, reuniu o governador Carlos Massa Ratinho Junior; o vice-presidente da Sociedade Rural do Paraná, Antonio de Oliveira Sampaio; Roberto Araújo, gerente de Relações Institucionais e de Sustentabilidade da Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG); e Patrícia Arantes, diretora executiva da Sociedade Rural Brasileira (SRB).

A agregação de valor esteve no centro do debate. A avaliação foi de que, depois de consolidar sua força produtiva, o Brasil precisa avançar na industrialização de grãos, proteínas, alimentos e biocombustíveis. Ao mesmo tempo, o próximo salto de competitividade depende de fatores que vão além da porteira, como seguro rural, crédito, logística, armazenagem, irrigação, infraestrutura e conectividade.

No cenário externo, os participantes defenderam maior protagonismo brasileiro na definição de regras sanitárias, ambientais e comerciais e na abertura de novos mercados. “A produção resolve a oferta, mas a regra resolve o mercado”, resumiu Patrícia Arantes. A discussão também conectou segurança alimentar, energia e geopolítica, com destaque para biocombustíveis, fertilizantes e diversificação de mercados.

Rastreabilidade define acesso a mercados

No segundo painel, “Rastreabilidade nas cadeias agroalimentares”, com moderação de Fernando Lopes, Airton Galinari, presidente executivo da Coamo; Carlos Abudi, gerente nacional de Originação de Grãos da Olam Agri; e Mariana Inocente, gerente comercial de Exportação da RAMAX Group, discutiram a rastreabilidade como instrumento de confiança, diferenciação e acesso a mercados.

Experiências das cadeias de grãos e proteína animal mostraram que o Brasil já possui mecanismos importantes de controle de origem e conformidade, enquanto tecnologias como satélites, georreferenciamento, certificações e blockchain ampliam a possibilidade de acompanhar produtos de ponta a ponta.

O custo desse processo também ganhou destaque. Os participantes defenderam que novas exigências precisam gerar retorno econômico para quem investe em rastreabilidade. Ao mesmo tempo, a comprovação da origem e da pegada ambiental pode abrir oportunidades em mercados como os de biocombustíveis e carbono, transformando controle e sustentabilidade em diferenciação comercial.

Sustentabilidade entra na estratégia econômica da propriedade

O painel “Clima, carbono e sustentabilidade: da pressão à oportunidade” reuniu Marco Antonio dos Santos, CEO e agrometeorologista da Rural Clima; Roberta Aparecida Carnevalli, chefe-adjunta de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Soja; Vinícius Ahmar, diretor programático do Instituto Arapyaú; e Roberto Strumpf, gerente do Carbon Bank, do Rabobank, com moderação da jornalista Angela Ruiz.

As perspectivas climáticas para a próxima safra deram início ao debate, com atenção para a influência do El Niño, períodos localizados de estiagem e o impacto das altas temperaturas. A partir daí, práticas como cobertura do solo, rotação de culturas, plantio direto e zoneamento agrícola foram apontadas como ferramentas para aumentar a resiliência das propriedades.

A discussão também mostrou que sustentabilidade começa a assumir valor econômico. Biodiversidade, carbono e capital natural podem se tornar ativos da propriedade, enquanto projetos ligados à redução de emissões já começam a gerar novas receitas. O painel reforçou que muitas práticas capazes de preparar a produção para eventos climáticos também melhoram a eficiência e reduzem emissões.

Para falar com a sociedade, o agro precisa sair da própria bolha

O quarto painel, “Comunicação: quem conta a história do agro?”, reuniu Flávia Romanelli, diretora da AgriDoce Comunicação e da Rede Agrojor; Nayara Figueiredo, repórter especial do Valor Econômico e da Globo Rural; e Jéssica Oikawa, gerente de Branding e Planejamento da Syngenta, com moderação da jornalista Marcela Souza. O debate trouxe para o Fórum um desafio que atravessou vários dos temas discutidos ao longo do dia: o Brasil pode produzir, inovar e adotar práticas sustentáveis, mas também precisa saber mostrar tudo isso para quem está fora do setor.

Um dos principais consensos foi de que o agronegócio ainda se comunica muito com quem já conhece sua realidade. Para ampliar o diálogo com a sociedade, a comunicação precisa ir além dos números de produção, exportação e produtividade e aproximar o público das pessoas que estão por trás desses resultados.

Flávia defendeu uma comunicação mais humanizada, colocando o produtor como protagonista, enquanto Nayara destacou a importância de mostrar como clima, produtividade e mercado chegam ao cotidiano da população por meio dos preços, do abastecimento e da economia. Os participantes também defenderam uma comunicação mais estratégica e proativa, capaz de construir reputação e diálogo com diferentes públicos.

O debate também mostrou que não existe uma única forma de falar sobre o agro. Produtores, consumidores, investidores e públicos especializados demandam linguagens distintas, assim como a diversidade do próprio setor - que reúne agricultura familiar, grandes propriedades, diferentes cadeias produtivas, indústria, pesquisa, tecnologia e serviços - precisa estar representada nessa comunicação.

Mercado, percepção e estratégia na tomada de decisão

A programação foi encerrada com a Palestra Magna “O agro que produz também pode inspirar”, ministrada por Ismael Menezes, sócio-proprietário da MD Commodities. Ao longo da apresentação, ele conectou mercado, comercialização e inovação para mostrar que o próximo avanço do agro brasileiro não depende apenas de produzir mais, mas também de perceber oportunidades, acompanhar novas demandas e transformar conhecimento em valor.

Ao abordar os mercados de soja e milho, Menezes mostrou como clima, geopolítica, câmbio, fundos de investimento, estoques e políticas de biocombustíveis podem provocar oscilações importantes nos preços, muitas vezes antes mesmo de mudanças concretas nos fundamentos. “Surfe as ondas da percepção com os olhos na realidade”, afirmou.

Nesse cenário, defendeu que a comercialização seja tratada como parte da estratégia de gestão da propriedade. Escalonar vendas, aproveitar janelas de oportunidade e avaliar de forma integrada preço, câmbio, custos e relação de troca com os insumos foram alguns dos principais recados deixados aos produtores.

A provocação sobre um agro que também pode inspirar apareceu justamente ao olhar para o futuro. Depois de décadas de avanços em produtividade, Menezes destacou inovação, diferenciação e produtos de maior valor agregado como caminhos para um novo salto do setor. Ao classificar o Brasil como o “Vale do Silício do agro”, reforçou a capacidade do país de produzir, desenvolver tecnologia e criar soluções que podem ampliar seu protagonismo no mercado mundial.

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